quarta-feira, dezembro 20, 2006

Wilzileide Rodrigues de Queiroz



Como o ser Humano aprende?

As estruturas cognitivas básicas representam as possibilidades do sujeito, como ser cognoscente, num dado momento de suas relações com o mundo. Como tal comportam construções sucessivas que dão origem a estruturas novas e mais abrangentes não sendo nem pré – formadas, como querem os inatistas, nem fruto da incorporação pura e simples de informações do mundo exterior, conforme o empirismo.
O conhecimento não é uma simples adição de novos elementos, de novas aquisições, complementando um saber mais pobre ou anterior. É um processo ativo, que vai e volta, regulado pela antecipação ou capacidade proativa e pela retroação, ou seja, correção do “erros” iniciais os que se apresentam no curso da ação.Consiste numa interação significativa entre aquele que conhece e o objeto a ser conhecido, processo que transforma ambos.Desse ponto de vista o objeto não receptor passivo, pois, como esclarece Foerster, ele não é uma máquina banal, que, tendo capacidade de operar, apenas, com uma regra, tem seu percurso previsível.Longe de convalidar a expectativa da resposta única ou a resposta desejada, o ser humano nos faz ver que nem tudo que se quer ensinar é aprendido, pelo menos nas proporções desejadas,não porque seja mal ensinado (e pode até ser), mas porque a relação ensino-aprendizagem, sendo hipercomplexa, só acontece se houver o que Maturana e Varela chamaram de acoplamento estrutural entre sistemas. Portanto, é preciso haver congruência ou compatibilidade entre o sujeito da aprendizagem e o sujeito do ensino como sistemas autônomos, ambos interagindo com outros sistemas (escola, família, sociedade, etc.) com suas possibilidades de abertura, mas ao mesmo tempo, com suas necessidades de preservação e integridade, enfim d fechamento.Realizam a auto – organização a partir das trocas com o meio diferentemente qualificado.È nesessário lembrar que, Morin, trata de sistemas auto-eco-organizadores. Assim, a relação ensino-aprendizagem só é efetiva quando é fruto da compatibilidade de objetivos, emoções, conteúdos e projetos compartilhados entre seres (sujeito e objeto).
O conhecimento pode ser mais amplamente construído por meio da participação ativa dos sujeitos, da reflexão e da interação social. É preciso, portanto, conhecimento mútuo entre os participantes do processo educacional, diálogo, desenvolvimento da confiança e o estabelecimento de laços de compromissos compartilhados, condições básicas para que os sistemas considerados em sua complexidade construam estratégias de comunicação, para enfim, ter-se mais chance de acontecer o acoplamento estrutural nos termos de Maturana e Varela. A relação ensino-aprendizagem afigura-se, pois, como probabilística. Com isso, não só quanto ao conteúdo e a formação de atitudes, mas também quanto aos fundamentos do processo ensino-aprendizagem.

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