quarta-feira, dezembro 20, 2006

Vanderléia Vidal


A cada nova descoberta feita pelos cientistas uma nova concepção de mundo é formada, corrigindo deficiências, trazendo aperfeiçoamento ao conhecimento e tornando a verdade cada vez mais clara sempre em busca do desenvolvimento da ciência, propiciando a formação de novos paradigmas, que são conjuntos de crenças ou verdades relacionadas entre si. No entanto, um outro conceito é defendido por Thomas Kuhn de que a ciência não é uma transição suave do erro à verdade, e sim uma série de crises ou revoluções espressas como “mudança de paradigmas”.
Paradigmas podem subsistir por séculos, bem como serem substituídos assim que um novo conhecimento rondar. Como é evidente na história do pensamento ocidental, podendo ser dividida em três megaparadigmas: pré-moderno, moderno e pós-moderno. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. Este paradigma trazia um ideal de um universo centrado na Terra, equilibrado, simétrico, que era reproduzido em todos os campos do mundo ocidental. Social e educacionalmente, a qualidade fechada desta visão significava que os indivíduos não deveriam transpor seus limites ou ascender acima de sua classe, de certa forma impedindo as possibilidades de desenvolvimento, transformação.
Entretanto, os paradigmas têm de sofrer mudanças quando modelos novos são convincentemente desafiados por novas evidências. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o pensamento moderno que descobriu horizontes inacessíveis ao pensamento pré-moderno, todavia com alguns resquícios do antigo paradigma. O novo é sempre assustador, e a mudança de megaparadigma encheu de medo os corações de intelectuais e a elite de poder européia que temiam a perda da harmonia natural e da ordem propostas pelo paradigma pré-moderno. A insegurança era visível em toda a população, mas tanto Newton quanto Descartes contribuíram para a intensificação dessa luta, para reconstruir a confiança e mostrar que a ordem não se fora. O controle foi uma característica importante, originando-se de uma visão positiva e de um medo oculto, que foi esencial para o sucesso produtivo do paradigma.
Com uma visão fechada, o pensamento modernista pregava a existência de um conhecimento externo – existia “fora” e sem possibilidades de mudanças, inalterável – residindo nas grandes Leis da Natureza. Logo, o conhecimento podia ser descoberto, mas não criado. O método de Descartes legava a descoberta de um mundo preexistente, não uma forma de lidar com um mundo emergente. Numa perspectiva educacional, ajudava os alunos a descobrir o que já era conhecido, não a desenvolver seus poderes de lidar com o indeterminado.
Em contrapartida, surge o paradigma pós-modernista afirmando a existência de um mundo transformativo, possível de mudanças, em que as certezas já não existem, vivemos rodeados de incertezas. O sentimento de certeza e correção propostos pelos modernistas, absolutamente não existem.
Enquanto os paradigmas pré-moderno e moderno, tinham sistemas isolados de transmissão e transferência, os sistemas abertos buscam a transformação. O currículo educacional adotou alguns conceitos do conceito estável, em que o conhecimento é transferido, e a transmissão estrutura o processo de ensino-apredizagem, o currículo de sistema aberto, pode ser chamado de transformativo ou orientado para o processo.
O pós-modernismo propõe uma vida social, pessoal e intelectual bem diferente, a visão intelectual não baseia-se na certeza positivista, mas na dúvida que vem de qualquer decisão baseado na experiência humana e na história local. Logo, o currículo de sistema aberto seria mais adequado, pois é um processo vivo; é negociável; é criada, não descoberta. Não se tem modelos a serem seguidos, as mudanças ocorrem de acordo com as necessidades.Estamos diante do paradigma pós-modernista, mas um outro pode surgir a qualquer momento, negando as teorias acreditadas.

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