quarta-feira, dezembro 20, 2006

Sirlandia Rodrigues de Oliveira

Na antiguidade, a aprendizagem se dava por meio da transmissão de costumes e tradições. Na idade média, o indivíduo era determinado a aprender o que era imposto pela igreja. No final do século XIX e início do século XX , percebia-se uma aprendizagem ligada a uma situação experimental, que Pavlov chamou de condicionamento clássico, explicados mediante comportamentos associados a estímulos e respostas. A aprendizagem é um processo de alteração de conhecimento, seja de forma condicionada, a partir das experiências adquiridas ou pela observação. O ser humano já nasce destinado a aprender, porém necessita de estímulos. Aprender a falar, a andar, a interação e a convivência são fatores do desenvolvimento humano que se adquire no meio social. No que se refere ao desenvolvimento da aprendizagem numa visão vygotskyana, percebe-se que aprender não é somente saber a linguagem escrita, visto que esta é resultado do processo pedagógico de ensino-aprendizagem. Para a construção do pensamento, necessita-se da valorização de aspectos motivacionais e emocionais, visto que o poder de concentração de um ser humano que deseja e se satisfaz com o ato de conhecer é totalmente diferente do que estuda para a satisfação de outrem. Bem como, as condições de vida humana, pois o indivíduo sadio e provido de uma boa moradia tende a aprender mais rapidamente. O conceito elaborado por vygotsky denominado Zona de Desenvolvimento Proximal, onde o conhecimento real é aquele que o aluno resolve sozinho e o potencial quando esse aluno necessita da ajuda do professor ou um adulto qualquer para a resolução de seus problemas. Nessa perspectiva o autor afirma que o aprendizado se dá exatamente no intervalo dos dois tipos de conhecimento, ou seja, é na distância entre o que já se sabe e o que vai se aprender que há uma interação com o meio, desencadeando assim, o pensamento crítico. Partindo da idéia de que o desenvolvimento da inteligência se dá pela interação entre o indivíduo e o meio, percebe-se que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, ele responde aos estímulos para construir e organizar seu próprio pensamento. “Caminhante, não há caminho. Se faz caminho ao andar.” ( FREIRE, p.15) O conhecimento também pode ser adquirido de acordo com experiências vividas e adquiridas com o passar do tempo, bem como de forma racional, que exige do indivíduo o desenvolvimento da capacidade de pensar, de relacionar os sentimentos às vontades. Para Piaget o aprendizado se dá por meio de fases, onde o indivíduo parte do estágio de imitação à capacidade de pensar cientificamente. Na visão piagetiana o ser humano é um “projeto” a ser construído. Construção essa independentemente do ensino, mas não dos estímulos sociais visando uma rica bagagem, produto da interação cultural e da evolução. Nas palavras de Piaget, “as relações entre o sujeito e seu meio, consiste numa interação radical, de modo tal que a consciência não começa pelo conhecimento (...) , mas por um estado indiferenciado.” (p. 383). Nessa visão, percebe-se a necessidade do compromisso de construção do novo, superando o arcaico e não o de repetir o antigo, visto que da novidade vem à tona o desenvolvimento do conhecimento humano.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: PIAGET, Jean. O Nascimento da Inteligência na Criança. Trad. Alvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1970. 387p. WADSWORTH, J. Barry - Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Piaget. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1997 (Biblioteca pioneira de ciências sociais). COUTINHO, Maria Tereza da Cunha; MOREIRA, Mércia. Psicologia da educação. Um estudo dos processos psicológicos de desenvolvimento e aprendizagem humana, voltados para a educação. edição revista e ampliada. Belo Horizonte: Lê, 1992. MOREIRA, Paulo Roberto. Psicologia da educação, interação e identidade. São Paulo: FTD, 1995. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. São Paulo: Brasiliense, 2006. (Coleção primeiros passos; 38)

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