sábado, dezembro 23, 2006

REJANIA MARIA DE SOUZA

Como o ser humano aprende?

Esse questionamento vem ao longo do tempo estimulando as ciências da cognição. Utiliza-se de estudos e pesquisas relacionadas às atividades do homem, para tentar explicar através de conceitos e teorias, como o ser humano aprende. Como se constrói o conhecimento no individuo?

Em resposta a essas perguntas, quase todos os filósofos e cientistas dedicaram seu tempo à esta problemática. Desenvolveram para isso diversas tecnologias, associadas às teorias modernas de aprendizagens, que dão embasamento para entender melhor o modo como às pessoas aprendem, e quais as condições necessárias para essa aprendizagem de acordo com cada corrente teórico-filosófica abordada a seguir.

Para a teoria racionalista, a verdadeira e principal fonte de conhecimento é a razão, sendo os sentidos, apenas mero complemento para o conhecimento, pois este está sujeito a todo tipo de engano. O Racionalismo atribui exclusiva confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade. Somente a razão, quando está baseada em princípios lógicos, pode atingir o conhecimento verdadeiro.

Para esta teoria o pensamento, quando é bem conduzido, encontra primeiro em si mesmo os critérios que permitem estabelecer algo como verdadeiro. Ou seja, trata-se da “crença na autonomia do pensamento, a idéia de que a razão, bem dirigida, basta para encontrar a verdade, sem que precisemos confiar na tradição livresca e na autoridade dos dogmas.” (René Descartes).

O pensamento, nesta visão racionalista é a essência da natureza humana é, portanto “o ponto de partida para o conhecimento, e todas as coisas que concebemos pelo pensamento claro e distinto são verdadeiras” (Coutinho P. 19). Assim percebe-se que esta teoria rompe com as idéias medievais do conhecimento humano baseado na fé cristã e faz surgir um ser racional, tendo nos métodos racionalista o verdadeiro instrumento para a construção do conhecimento.

Na análise da teoria empirista, a forma como o conhecimento se desenvolve, parte do principio de que o conhecimento humano enraíza-se nos fatos e acontecimentos do mundo, e, portanto jamais pode atingir a verdade de forma absoluta e definitiva.
Assim, a idéia fundante nesta teoria sugere que o conhecimento, os pensamentos e as idéias são formados devido aos estímulos externos, ou seja, de fora para dentro, o sujeito se molda, e se aperfeiçoa na medida em que recebe subsídios para isto. É considerado como uma “tabula rasa”, onde sua mente vai se formando pelas sensações do que acontece a sua volta, não há idéias ou pensamento inatos a ele, estes são desenvolvidos pelas experiências vivenciadas e adquiridas ao longo do tempo, fortalecendo assim a idéia de que os objetos determinam o sujeito.

As questões acerca do conhecimento humano obtiveram grande contribuição com as teorias Interacionistas e construtivistas, tendo como principais precursores Vygotsky e Piaget.

Para estes pensadores a aprendizagem é vista como um fenômeno que se realiza na interação com o outro e com o objeto, por meio de uma troca saudável, onde diversos processos internos de desenvolvimento mental, somente se complementam quando os sujeitos se interagem em cooperação.
“É o processo pelo qual o individuo adquire informações, habilidades, atitudes, etc. a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente e as pessoas.” ( OLIVEIRA, p27.)

Segundo Vygotsky, para que o indivíduo se constitua como pessoa, é de fundamental importância que ele se insira num determinado ambiente cultural. As mudanças que ocorrem nele, ao longo de seu desenvolvimento, estão ligadas à interação dele com a cultura e com a história da sociedade da qual ele faz parte. Por isso, e de acordo com os
conceitos desenvolvidos por Vygotsky, o aprendizado envolve sempre a interação com outros indivíduos e a interferência direta ou indireta deles.

Na aprendizagem escolar, de acordo com esta teoria existem diversos elementos importantes, para que o desenvolvimento do sujeito ocorra com sucesso. O aluno, o professor a situação de aprendizagem, o ambiente devem ser levados em conta neste processo. Observando uma série de princípios pedagógicos, que contemple a diversidade de idéias e conceitos.

Neste processo, é de fundamental importância que se busque reconhecer a dinâmica envolvida nos atos de ensinar e aprender, partindo do reconhecimento da evolução cognitiva do homem, tentando explicar a relação que existe entre o conhecimento pré-existente do individuo e o novo conhecimento que está sendo transmitido. A aprendizagem não seria apenas relacionada com a inteligência e sim com a construção dos conhecimentos, provenientes da relação através da interação entre as outras pessoas e o meio em que vivem.

“Para que este aprendizado se desenvolva satisfatoriamente” não basta que os alunos se encontrem frente a conteúdos. Para aprender, é necessário que diante destes possam atualizar seus esquemas de conhecimento, compará-los com o que é novo, identificar semelhanças e diferenças e integrá-las em seus esquemas, comprovar que os resultados tem certa coerência”. ( Zaballa p. 37)

Desta forma é oferecido aos alunos possível oportunidades, para seu real desenvolvimento enquanto sujeitos pensantes e democráticos.

A dinâmica da vida, a velocidade e a forma como as informações são transmitidas para o individuo atualmente, serviram de inspiração para a origem de uma nova teoria do conhecimento, o conexionismo.

Essa nova modalidade de saber aparece aqui como a mais recente teoria do conhecimento, Lévy (1993) e tem por base a idéia do conhecimento como um sistema de redes. Aos quais as ciências contemporâneas classificam como um conjunto de procedimentos que determinam etapas importantes com relação à construção do conhecimento humano.

O processo de aprendizagem acontece quando os indivíduos se vêem diante de situações que representam contextos através dos quais é gerada uma interação com o ambiente a ser explorado obedecendo a certa linearidade, fundamental para o processo do conhecimento.

Diante da complexidade aparente do tema é de suma importância compreender o modo como às pessoas aprendem e as condições necessárias para a aprendizagem, bem como identificar o papel do professor/aluno nesse processo. Estas teorias são importantes porque possibilitam a estes (professor e aluno) condições para se desenvolverem e aperfeiçoar seus conhecimentos, atitudes e habilidades que lhes permitirão alcançar da melhor forma possível os objetivos de um aprendizado de qualidade.


BIBLIOGRAFIA:

COUTINHO, Maria Tereza Cunha; MOREIRA, Mercia. Psicologia da Educação: A construção do conhecimento psicológico. Belo Horizonte. Ed. Lê, 1997.

MACHADO, José Nilson. Epistemologia Didática: As concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente. São Paulo. 6ª Ed. Cortez Editora. 2005.

OLIVEIRA, Marta Kohl de Oliveira. Vygotsky: Aprendizado e desenvolvimento: Um processo sócio-histórico. São Paulo: 4ª ed. scipione. 1998.

ZABALLA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: artMed. 1998.

Sites:
MORAN, José Manuel. Mudar a forma de ensinar e de aprender com tecnologias: transformar as aulas em pesquisa e comunicação presencial-virtual. In: http://www.eca.usp.br/~moran ( pesquisa realizada em março/2001)

SANTOS, Alckmar Luiz dos. Sedimentação de Sentidos ou Historicidade, do Texto ao Hipertexto. Via Internet http://www.cce.ufsc.br/~alckmar/texto8.html, 1996 ( pesquisa realizada em março/2001)

TEIXEIRA, João de Fernandes. Mentes e Máquinas uma introdução à Ciência Cognitiva. Porto Alegre, Artes Médicas, 1998.

http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/404 ( pesquisa realizada em março/2001)

http://www.nib.unicamp.br/port/servicos/cedib/psicol.htm ( pesquisa realizada em março/2001).

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