quarta-feira, dezembro 20, 2006

Priscila O. Barbosa de Morais

As formas pelas quais o ser humano aprende é motivo de estudos desde a antiguidade pelos povos orientais, com a finalidade de transmitir aos seus descendentes seus costumes e tradições.
Sabemos que o ser humano possue a capacidade de desenvolver o aprendizado de várias formas – pensando, vivenciando, imitando, questionando, observando, ouvindo, experimentando, etc., o que nos leva a concluir que cada um encontra uma melhor maneira de adquirir conhecimentos, que o aprender é constante em nossas vidas e que o conhecimento é algo infinito.
De acordo com as principais correntes teórico-filosóficas - Empirismo, Racionalismo e Interacionismo - os seres humanos aprendem da seguinte forma:
Empirismo – acredita que o sujeito aprende através da simples transmissão de conhecimentos.
Racionalismo – acredita que o conhecimento é algo interno, inato – e a maturidade do sujeito é que lhe proporciona a aprendizagem.
Interacionismo – acredita que o aprender é algo pessoal e subjetivo e para que ele ocorra é necessária uma interação social.
Para Piaget (teórico considerado pela Psicologia a primeira autoridade em desenvolvimento cognitivo), a aprendizagem se dá através do desequilíbrio cognitivo, ou seja, aprendemos por assimilação e acomodação. Para ele o conhecimento não está nem no sujeito, nem no objeto, mas na interação entre ambos.
Na verdade o ser humano tem uma inclinação ao ato de aprender, mas para que isso ocorra, os estímulos externos são necessários para que se concretize a aprendizagem, pois a mesma não acontece se não houver uma motivação.


RESUMO DOS LIVROS:

A Teia da Vida, Currículo e Emergência.

O homem sempre procurou uma explicação a respeito da origem do Universo - no início através dos mitos - que além de não poderem explicar tudo, era algo de caráter religioso e, cada povo tinha o seu mito e o modo de interpretá-lo. Depois surge a ciência e a filosofia onde vários pensadores tentam explicar a origem do Universo com teorias bem mais complexas. Através de uma visão holística de mundo, concluiu-se que o mundo é um todo integrado (como uma “teia”) e que agimos como parte da “Teia da vida”. Com a evolução da sociedade, o homem fez com que surgissem inúmeros problemas no meio ambiente e reconhece que para haver um equilíbrio na “teia” é necessário que cada “parte” realize bem o seu papel.
Na década de 40, um método de planejamento estratégico – o Pensamento Sistêmico Aplicado - se desenvolveu e, nas décadas de 50 e 60, passou a ser desenvolvido nas indústrias devido à complexidade de novas tecnologias. Com o passar do tempo e a elucidação da estrutura física do ADN, o pensamento sistêmico é deixado de lado, sendo mais tarde considerado pela biologia, já que a vida começa com o entendimento de “padrão”. A Terra, um sistema vivo, é a mais bela expressão da auto-organização. É um todo integrado criando condições para a sua própria existência.
O caos, que segundo a filosofia é o estado de confusão dos elementos, anterior à criação do mundo, é visto sob duas perspectivas de acordo com os mitos do mundo ocidental: como massa rica, primal – a partir da qual foi criada a ordem - e, como a interação contínua entre a ordem criada e a massa primal, a partir da qual ela se evoluiu. Num mito sobre a criação, o caos é necessário para que surja a ordem. Marduk é a personagem que possuía a habilidade de fazê-lo, daí se diz que os professores gostariam de possuir essa habilidade transformativa.
Para alguns teóricos e para a biologia, a natureza é inerentemente criativa e o Universo é um processo contínuo e criativo. Muitos deles buscavam constantemente explicações plausíveis sobre a origem da vida e a evolução dos seres vivos (Russel, Mendel, Lamarck, Darwin...).
Para Piaget o modelo biológico de desenvolvimento e o processo de equilibrarão são de grande importância. Desenvolveu sua teoria sobre desenvolvimento cognitivo tendo como base sua teoria de fenocopia genética. Para ele – diferentemente dos darwinianos e lamarckianos que vêem as pressões do meio ambiente e as respostas desses hábitos sendo diretamente transferidos pelas estruturas internas do organismo – há interação entre o organismo e o meio ambiente, os organismos não são passivos e a mente não é uma tábula rasa, os seres humanos têm reações positivas às pressões ambientais. O modelo biológico proposto por Piaget é o de equilíbrio-desequilíbrio-reequilíbrio, para o desenvolvimento individual.
Não apenas a ciência, mas também a religião se interessou ao longo da história por assuntos sobre o Universo, o que resultou numa divergência entre ambas de forma que verdades e mentiras passavam a ser algo totalmente relativo.
Durante os séculos XII e XIII, os trabalhos de Aristóteles afirmando ser a Terra o centro do Universo ascendeu, despertando assim um novo interesse por parte da religião no estudo da natureza. Abriu-se então espaço para uma nova astronomia, onde Copérnico conclui que não a Terra, e sim o Sol, está no centro do Universo, descartando as idéias aristotélicas e ptolomaicas.
Outros gênios da ciência surgiram e várias outras descobertas foram feitas no campo da astronomia - destacando-se Galileu - um filósofo com a mente além de seu tempo histórico e que se destacou nesse campo. Chegou até mesmo a acreditar ser o único capaz de explicar às autoridades eclesiásticas e teólogos qual era o verdadeiro arranjo dos céus e como interpretar as escrituras sagradas.Uma outra mente brilhante a contribuir com o desenvolvimento da ciência foi Newton. Para ele a ciência e a religião se complementavam, mas seus métodos de experimentação científica foram, e ainda são, os maiores responsáveis pela divisão de religião e ciência.
Heráclito afirmou que “a vida é um fluxo contínuo”, portanto, devemos levar sempre em consideração as expressões humanas, compreendendo o autor em relação ao seu tempo, lugar e estado mental – eis a importância da hermenêutica, que lida com a natureza ontológica do ser e a natureza epistemológica do conhecer (o processo da hermenêutica sugere planejar uma estrutura de ensino e aprendizagem para a “criação de significado”: é preciso questionar para mudar...).
No âmbito da educação, as regras simples de interação podem levar a modelos complexos de comportamentos, característica do processo de emergência. Como demonstração desse comportamento podemos citar as colônias de formigas, onde tudo funciona na mais perfeita ordem sem intervenção de um líder. Nos sistemas emergentes, também chamados de bottom-up (de baixo para cima), agentes que residem em uma escala começam a produzir um comportamento cujo padrão reside em um escala acima deles.
Podemos concluir que as teorias nos fazem enxergar a organização da vida, e a epistemologia ao questionar essas relações de organização merece destaque por mostrar-se sinérgica, holística e sistêmica como a própria vida o é.

A Teia da Vida
Fritjof Capra
Esse livro enfoca a concepção sistêmica da vida, que não vê as coisas, inclusive o Universo, como elementos isolados, mas como parte de um todo integrado (padrões) cujas características mais importantes não estão em suas partes, mas nas formas como essas se relacionam. Através de vários exemplos o autor relata que a natureza é de fato inteligente – algo que os místicos já sabiam há muitos séculos atrás – colocando à nossa disposição algumas evidências a respeito da vida e nos fazendo refletir sobre a existência de uma força maior que rege tudo isso.

Currículo: uma perspectiva pós-moderna
William E. Doll Jr.
Trata a respeito do currículo onde o papel do professor não é casual, mas transformacional no processo de educação. Faz-nos refletir sobre a pratica pedagógica, o que é ser professor, o que é ser aluno. Faz-nos entender quais são as verdadeiras necessidades curriculares para a sociedade que tem evoluído em vários aspectos, mas que no âmbito educacional ainda se encontra numa lenta, mas progressiva transformação.

Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares.
Steven JohnsonNa primeira parte do livro o autor procura demonstrar o que chama de “mito da formiga rainha” na intenção de percebermos a dificuldade que as pessoas têm de aceitar a hipótese bottom-up, o que é perfeitamente possível de se concretizar desde que sejam seguidas as regras de interação. Esse livro trata dos fenômenos emergentes de sistemas auto-organizados, nos quais é dispensada a presença de controle centralizado, que é claramente exemplificado no caso das colônias de formigas.

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