quarta-feira, dezembro 20, 2006

Nara Lígia Almeida Silva

Baseado em correntes teórico-filosóficas, como o racionalismo, o empirismo e o interacionismo, é possível ter uma compreensão de como o ser humano aprende. Essas diferentes teorias definem o processo de desenvolvimento e aprendizagem em perspectivas diferenciadas. Apesar de inerentemente diferentes esses processos exercem influência um sob outro, pois, tratam da relação mútua entre objeto e sujeito do conhecimento. Para John Locke (1632-1704), filósofo empirista, por exemplo, o homem é uma tabula rasa ao nascer e, suas diferenças são resultantes da influência do meio sobre o mesmo, ou seja, pra que haja desenvolvimento é necessário que se estimule o indivíduo. São intervenções de natureza ambiental e socioeducacional, estímulo-resposta. É relevante a estimulação ambiental e social para o desenvolvimento humano, pois, assim, gera atitudes, conceitos, preceitos e valores. Sendo assim, as teorias comportamentistas, concluem que: o ambiente é fator primordial na aprendizagem; o comportamento humano é mensurável; a aprendizagem decorre da relação estímulo-resposta e, das conseqüências de ações praticadas; e, o ensino é resultado da modificação do comportamento do aluno pelas estimulações que ele recebe, tais como: notas, prêmios, elogios etc. Contrapondo-se a essa idéia empírica, tem-se o racionalismo que acredita na pré-formação do conhecimento. Ao nascer o indivíduo já possui as estruturas do conhecimento. Desse ponto de vista, não se pode ter conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo. Essa teoria gestaltista, enfatiza o processo de reestruturação da estrutura cognitiva, pela percepção das relações da situação como um todo. Por essa visão, aprender é perceber relações, e não apenas dar respostas aos estímulos, é reagir às situações e não a casos isolados. “Sintetizando, tanto as teorias do conhecimento, quanto a da Gestalt tratam de modo reducionista as relações existentes entre o sujeito e os objetos do conhecimento. Em ambas as abordagens, nega-se a indissociabilidade sujeito-objeto. As teorias do condicionamento reduzem o indivíduo às determinações do objeto do conhecimento, além de negar a consciência, a subjetividade e o inconsciente enquanto síntese das relações sociais. A teoria da Gestalt reduz as possibilidades de conhecimento às estruturas pré-formadas nos indivíduos, desqualificando, assim, a força da educação enquanto elemento fundamental no processo de desenvolvimento e aprendizagem humanos.” (COUTINHO, 1992, pág. 81) Olhando pelo lado interacionista, o conhecimento acontece mediante a participação, tanto do sujeito quanto dos objetos. Piaget diz que, a aprendizagem se constrói continuamente, com trocas dialéticas efetuadas entre o indivíduo (sujeito) e o meio (com o qual o indivíduo interage) do conhecimento, é a construção desse conhecimento. Aprender é deduzir hipóteses sobre as leis próprias do desenvolvimento. Assim, é a perspectiva construtivista, uma oposição à visão empírica e racionalista. Partindo desse pressuposto piagetiano, não existe conhecimento pré-formado, nem a acumulação de experiência gera conhecimento. Mas, é na interação entre sujeito e objeto que o ele acontece. Entretanto, é notório que as duas primeiras correntes (empírica e racionalista) serviram de base e aperfeiçoamento para a terceira (interacionista), sendo a última a mais coerente e completa no campo educacional, pois, seria uma perfeita junção das teorias, descartando o “radicalismo” de ambas as primeiras. Pois, sabe-se, que o ser humano passa por fases decisivas em sua vida, as quais vão direcionar seu comportamento de acordo com o meio que o “conduziu”.
Bibliografia: COUTINHO, Maria Tereza da Cunha.Psicologia da Educação: um estudo dos processos psicológicos de desenvolvimento e aprendizagem humanos, voltado para a educação: ênfase na abordagem construtivista. – Belo Horizonte, Editora Lê, 1992.

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