quinta-feira, dezembro 21, 2006

Jailsom ferreira de andrade

Verificamos que no decorrer de toda a história da humanidade, o homem tem buscado, através de várias teorias filosóficas, explicar de que maneira o homem desenvolve o seu conhecimento, ou seja, como ele aprende. Dessa forma vamos abordar as principais correntes filosóficas que explanam as teorias do processo de desenvolvimento de aprendizagem do ser humano.
Começaremos a abordagem através de duas visões distintas que são: O Empirismo e o Racionalismo, que por mais divergentes que fossem, visavam ambos, libertar o homem da tutela das escrituras sagradas e fundamentar novas perspectivas de construção de conhecimento em uma nova ordem social, que já estava causando a desintegração do mundo medieval.
Os empiristas defendem que o conhecimento é adquirido pela interação do homem com o meio, através das experiências vividas no decorrer da sua existência, pois todas as nossas idéias são criadas pelas nossas percepções sensórias (visão, olfato, audição e tato), ou seja, nada vem à mente sem ter passado pelo sentido. Nessa visão empírica John Locke defendia que, “o homem ao nascer, sua mente seria como uma folha de papel em branco completamente desprovida de idéias, e que as mesmas seriam fruto das experiências resultantes das observações dos dados sensoriais”, dessa forma o conhecimento se dá de fora para dentro, pois na visão Empírica a existência precede a essência.Na concepção empírica de ensino o professor é o detentor do conhecimento, determinando assim o que o aluno deve aprender, pois o mesmo é tratado como um indivíduo sem conhecimento algum, devido o processo educacional está centrado no ensino, e o professor esta está na condição de transmissor do saber.
No Racionalismo, porém o fundamento consiste na crença da pré-formação do conhecimento, cuja idéia essencial é a de que ao nascer o individuo já apresenta virtualmente, as estruturas do conhecimento. Assim os racionalistas afirmam que a experiência sensorial é uma fonte de erros e confusões sobre a complexa realidade de mundo. Pois somente a razão humana, trabalhando com os princípios lógicos, pode atingir o conhecimento verdadeiro, por que os princípios lógicos seriam inatos na mente humana.Portanto assim recomendou o filósofo René Descartes: “Nunca nos devemos deixar persuadir senão pela evidência de nossa razão”, por que na visão Racionalista a existência precede a essência, assim o conhecimento é gerado pelo homem de dentro para fora, por meio de uma intuição pura que prescinde os dados do mundo ,ou abstrativa que parte dos fatos mas os ultrapassa.desse modo esse tipo de conhecimento é considerado anterior a qualquer experiência. Na concepção Racionalista de ensino o processo educacional está centrado no aluno, sendo que o professor não determina, mas age como um observador e facilitador da aprendizagem, ficando a responsabilidade do sucesso ou fracasso à cargo do aluno.
Vamos entrar agora na teoria do interacionismo ou construtivismo, que consiste na concepção de que o desenvolvimento do conhecimento é determinado pelas ações mútuas entre o individuo e o meio, pois o homem não nasce inteligente, mas não é passivo sobre a influência do meio, por que ele tem a capacidade de reagir aos estímulos externos, organizando e construindo seu próprio conhecimento de maneira cada vez mais organizada. Segundo Piaget “a construção do conhecimento ocorrem quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento”. Através desta teoria Piaget acabou fazendo a fusão do empirismo com o racionalismo, por que no construtivismo a construção do conhecimento vem de dentro, mas para ocorrer à aprendizagem o individuo deve interagir com o meio social ao qual está inserido, dessa forma o mesmo vai se adaptando ao meio em um processo interminável de desenvolvimento cognitivo. As interações entre o sujeito e o meio, é um processo permanente e está sempre em desenvolvimento, criando assim novos níveis de conhecimento.
O interacionismo na educação consiste em uma relação mútua de troca de conhecimentos entre professor e aluno, sendo que essa relação se estende para a família e a comunidade, conhecendo assim e respeitando o contexto social no qual o aluno está inserido, para que nessa troca de conhecimento todos acabem aprendendo. Dessa forma não há uma centralização no processo educativo, pois tanto o ensino como à aprendizagem são reconhecidos e valorizados, construindo e ampliando assim a autonomia intelectual de docentes e discentes.
Dando seqüência, vamos adentrar na teoria conexionista, que consiste na produção do conhecimento de forma não linear, ou seja, através da conexão em redes. O conexionismo, baseado numa inspiração neuronial, significa que o cérebro consiste em um grande número de processadores, os neurônios, que se encontram maciçamente interligados formando uma complexa rede. Como o cérebro contém milhões de neurônios ligados em paralelo formando redes interneuroniais, sendo que cada neurônio é constituído de uma massa central e de dois tipos de filamentos responsáveis pela formação das redes: os axônios, transmissores de eletricidade, e dendritos receptores de impulsos elétricos. Assim nos pontos onde o axônio encontra um dendrito há um espaço onde se processam reações químicas: as sinapses. Essas reações são as responsáveis pelo aprendizado, ou seja, aprender significa alterar a força das sinapses.
O conexionismo tem promovido uma grande revolução no desenvolvimento de novas tecnologias, pois através do estudo dos esquemas cerebrais, uma nova geração de computadores inspirados no cérebro humano está sendo desenvolvida, no intuito de desenvolverem a inteligência artificial. Na educação o conexionismo tem promovido a ampliação do conhecimento através do estímulo à leitura, pois essa é descrita como um processo ativo que migra do nível de letras, palavras e frases, apresentadas serialmente, para o pensamento, forçando assim as sinapses neuroniais e produzindo a aprendizagem. Concluindo observamos que o ser humano dispõe de varias formas para aprender, porém o processo de construção do conhecimento é infinito, pois está em permanente desenvolvimento.

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