quarta-feira, dezembro 27, 2006

Esiovam Andrade dos Santos


Como o ser humano aprende?

“Estar vivo é assumir a educação do sonho cotidiano. Ensinar e aprender são movidos pelo desejo e pela paixão... é preciso educar o medo e a coragem. Medo e coragem em ousar.Medo e coragem em assumir a solidão de ser diferente. Medo e coragem em romper o velho.Medo e coragem em construir o novo... este é o drama de permanecer vivo... fazendo EDUCAÇÃO.”
(Madalena Freire)
Refletir sobre a problemática: “como o ser humano aprende?”, é um ofício um tanto complexo, principalmente quando se diz respeito a uma perspectiva pós moderna. Apesar disso, é incrível e espantoso vislumbrar o milagre da ilimitada aprendizagem humana, sua simplicidade individual e sua complexidade visualizada em forma de teia, que se propaga de forma interdependente, harmoniosa e interacionista.
Durante a idade pré-moderna e moderna, a aprendizagem fora concebida como um processo fragmentado, segundo sua forma newtoniana, mecanicista, sem visão de crescimento... porém, apesar desse ser um fator negativo para a ciência da aprendizagem, o fato é que o pós-modernismo melhorou essa visão limitada, concluindo que é a interação que constitui a essência do crescimento. E assim, percebeu-se que no processo ensino-aprendizagem, um procede e causa o outro, ou seja, à medida que se ensina, muito mais se aprende e ao aprender acaba-se ensinando, pois cada ser em si possui o dom de desenvolver sua aprendizagem através do ouvir, do falar, do sentir, da interação com o meio e por que não dizer, da ação interdisciplinar vislumbrada num currículo biológico, vivo e sistêmico, que proporciona ao homem um crescimento transformativo, de final aberto, ao longo do tempo.
Diferentemente da visão física, essa relação biológica, sistêmica e organizada, permite que mesmo que alguns setores do ser apresentem danificações, o próprio sistema se encarrega de fazer novas conexões, readaptações, com o fim de que o indivíduo garanta sua continuidade unitária de padrão. Outrossim, percebe-se aqui que não há verdades encerradas em si como absolutas, pois o homem é um ser em constante mudança e por que não dizer, apesar de não se poder mudar o futuro, o fato de se aprender com ele, produz nesse processo ordenamentos hierárquicos, funcionamentos integrados e complementares, bem como o reconhecimento de padrões. Mas essa complexidade ainda se respalda no conceito biológico de emergência, na teoria de hierarquia, onde os sistemas abertos necessitam de problema e perturbação para funcionarem, fatores esses que se tornam tão grandes, que às vezes precisam se reorganizarem, gerarem propriedades emergentes, no novo contexto de uma série mais ampla. E, nesse sentido, faz-se necessário um replanejamento, para que o problema se reflita numa ação pedagógica que fortaleça as experiências posteriores.
Apesar de toda essa complexidade no processo de aprendizagem, torna-se evidente que a mesma depende da ação, interação e transformação reflexivas, pontos cruciais do desenvolvimento humano, buscando-se nos fatos passados pressupostos, que melhorados, reflitam na consolidação de um mundo melhor, mais “humano”, que evidencie um ser superior, diferente entre si, mas intimamente harmônico em suas relações...

Referências Bibliográficas:
Doll Jr., William E.– Currículo: uma perspectiva pós-moderna /William E. Doll Jr.,; trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. Artmed Editora S.A.


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