quarta-feira, dezembro 27, 2006

cremilda


Como o ser humano aprende?

As perspectivas de aprendizagem numa visão epistemológica de educação se resumem segundo os paradigmas pré – modernos, modernos e pós – modernos. Dentro destas perspectivas foram desenvolvidas teorias do conhecimento destacando – se o empirismo, o racionalismo, o construtivismo e, hoje, final do século XX e início do século XXI, estudiosos e pesquisadores pós – modernos, através da teoria do caos, buscam desenvolver uma nova corrente ou novo paradigma educativo: o conexionismo – ou seja, o conhecimento em rede.
Segundo a professora Emanuela Dourado, na sua monografia apresentada à UNEB, 2004, se confirmam, basicamente na história, três respostas para a questão supra mencionada – isto através de métodos empíricos, racionalistas e construtivistas.
O conexionismo é a grande discussão em processo na atualidade, quando hoje a tecnologia oferece avanços e conquistas que já ultrapassam os paradigmas anteriores: Pré – modernos e modernos.
Como seriam aplicados os métodos já utilizados em educação? O empirismo que significa experiência, vivência, considera o sujeito quando nasce uma “tabula rasa”, pois a fonte do conhecimento é exterior ao próprio sujeito. Quanto ao racionalismo, o conhecimento é resultado da razão, do pensamento, pois a maturidade do sujeito é que regula as aprendizagens. O conhecimento é inato sendo os órgãos dos sentidos que captam as informações. Já no construtivismo, o sujeito constrói seu próprio conhecimento com outros sujeitos e objetos do conhecimento. Mas para que ocorra a aprendizagem é necessário que haja interação social com a presença humana do erro construtivo, reconhecendo e valorizando o ensino e a aprendizagem. Essa concepção teórica supera tanto o empirismo como o racionalismo. Nela, o conhecimento é resultado da razão e experiência, dando umas construções contínuas, entremeadas pela invenção e pela descoberta.
“A prática ganha vida coletiva real, como nos outros setores sociais. Com problemas, desencontros, conflitos, alegrias, realizações, tensões, etc. E dessa maneira é que se tornam possíveis às aprendizagens necessárias para o progresso da vida coletiva em sociedade – sem subterfúgios, sem pretextos, sem simulações”. (Emanuela Dourado – 2004 –p.44)

Aprofundemos – nos na história dos paradigmas já existentes.
A visão pré – moderna, representa o antigo ideal grego de ordem equilibrada, simétrica, intencional. Um ideal de universo centrado na Terra. Um período de quase dois mil anos. O paradigma sofreu várias influências e modificações – helênicas, romanas, judaicas – cristãs, árabes, pagãs, góticas. E nos séculos XV e XVI os padrões dominantes na Astronomia, nos ideais cavalheirescos, na Matemática, Metafísica, Poesia e Ciência eram os gregos, especialmente nas formas neoplatônicas e neo – aristotelianas adotadas pelo Renascimento. Assim, a Filosofia e a Ciência de Platão e Aristóteles constituíam os fundamentos contra os quais a Ciência Moderna lutava ao desenvolver seu próprio paradigma. Este se concretizou nos trabalhos de Descartes e Newton, que, como Platão e Aristóteles representam os ramos racionalistas e empiricistas do paradigma.
O paradigma modernista – a mecânica de Newton - de sistema fechado, é agora a visão contemporânea contra a qual o pós – modernismo está lutando na medida em que desenvolve seu próprio paradigma. No início do Modernismo, durante os séculos XV e XVI, esta Cosmologia chegou ao fim (da visão Pré – Moderna); ela foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista – uma cosmologia científica – iniciada por homens como Nicolaus Copérnicus, Tycho Brahe, Johann Kepler e Galileu Galilei. Iniciando no final do século XVI, Newton desenvolveu completamente esta nova cosmologia, muito bem expressa em seu Philosophia Naturalis Principia Mathematica (1729/1962). Entre esses “princípios”, destacava – se o da gravidade, que determinava tanto a órbita dos planetas em torno do sol quanto à queda de uma maçã no chão. Este princípio aplicava a todo o universo, uniformemente – conforme Newton e seus predecessores e seguidores esperavam. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta, não uma visão fechada. O progresso, o aperfeiçoamento e a contínua melhora material das vidas de todas as pessoas eram vistos – nas visões do Iluminismo e Industrial – como objetivos alcançáveis. Os veículos para atingir estes objetivos eram a metodologia de Descartes e os princípios de Newton, particularmente seu senso de ordem simples. Mas num nível mais profundo, esta era uma visão fechada. A metodologia de Descartes da “razão correta” era tão certa e dogmática quanto à metodologia escolástica que ele substituiu, e a Ciência Mecanicista de Newton baseava – se numa ordem cosmológica, estável, uniforme.
Albert Einstein – o último grande newtoniano, pelo menos temperamentalmente – expressou sua opinião de
que não existe nenhum caráter aleatório no universo, metaforicamente: “Deus não joga dados” (Heisenberg, 1972, páginas 80 –81). Numa estrutura temporal intelectual, Copérnico e Einstein representam os limites extremos do paradigma moderno, com Descartes e Newton como as medianas. Mas, evidentemente, como acontece com qualquer extremo, Copérnico e Einstein também representam as pontes entre os paradigmas – um com o pré – moderno, o outro com o pós – moderno.
O paradigma pós – moderno, uma visão aberta, de sistemas abertos, pressupostos na fórmula de Einstein E=mc2, trocam tanto energia quanto matéria. O ponto essencial, tanto metafórico em termos educacionais, quanto factualmente em termos dos próprios sistemas, é que os sistemas isolados não trocam nada, sendo no melhor dos casos cíclicos; os sistemas fechados transmitem e transferem; os sistemas abertos modificam. A visão intelectual dos sistemas abertos baseia – se não na certeza positivista e sim na dúvida pragmática, e também na experiência humana e na história local. Nós somos responsáveis por nosso futuro e pelo futuro dos outros. Neste sentido adotar uma visão aberta provavelmente nos trará uma perspectiva e cosmologia ecológica. É um processo transformativo e nos fornece uma estrutura (de processo) por meio das quais essas afirmações podem ser estudadas, compartilhadas, criticadas, modificadas.
O currículo numa perspectiva pós-moderna, de acordo com William E. Doll Jr. é um processo no qual o papel do professor não é casual, mas transformacional. O propósito da educação, planejamento e avaliação são flexíveis e focados nos processos, não no produto. Todavia para que aconteça a realização prática esse novo currículo, será necessário que os profissionais de educação desenvolvam uma estrutura diferente, mais interativa e transformativa. O processo depende da ação, interação e transformação, reflexivos pontos cruciais na teorização curricular de Piaget, Jerome e John Dewey.
O modelo biológico de desenvolvimento e o papel que o processo de - assimilação, acomodação e equilibração – desempenham nele são de grande importância para Piaget, especialmente na formação e transformação das estruturas. Transpondo este modelo para as estruturas cognitivas, Piaget propõe um modelo de equilíbrio – desequilíbrio e reequilíbrio para o desenvolvimento individual. O desequilíbrio é motor de evolução. Ao tentar superá – lo o aluno se reorganiza com um “insight” mais elevado do que o previamente atingido. Toda reorganização ou transformação é “sempre uma reconstrução interna (endógena) de dados externos (exógenos)”. (em Bringuier, 1980 p. 114). O genoma no tempo certo responde a essas pressões externas. Os genes têm a sua estratégia. Analogamente os aprendizes também. Piaget vai mais profundo, na reestruturação intelectual, como o matemático Dieudone fez: transformou o mundo das coisas físicas no mundo das coisas lógicas e abstratas. Para Piaget isto foi um crescimento intelectual e um desenvolvimento pessoal.
E assim prossegue a Teoria do Caos. Uma teoria dos sistemas dinâmicos, complexos e abertos. A teoria do caos é uma teoria matemática. A matemática da complexidade. E uma das características mais importantes dos grandes cientistas e artistas, também é a sua independência intelectual. É essa genialidade que faz esses indivíduos encontrar novas e inesperadas conexões e a coragem de confrontar com as antigas idéias. Sempre que surgem novas idéias em física, surge em cosmologia, como também em matemática. À medida que a compreensão a nossa volta se transforma, a nossa concepção do Universo como um todo também se transforma. Para que possamos compreender os nossos modelos de Universo (ou educação), examinemos algumas idéias revolucionárias do século XX. Relativisar o mundo microscópico e o mundo macroscópico, percebendo em razão, experiência e sócio – interação, a conexão dos sistemas vivos como redes auto – organizadoras, cujos componentes estão todos interligados, são interdependentes e existem ao longo de toda a história da filosofia e ciência.Teorias formuladas muito recentemente, quando novas ferramentas matemáticas se tornaram disponíveis. É a Teoria do Caos, ou Teoria dos Fractais (fragmentos ou formas irregulares), importantes ramos das teorias dos sistemas dinâmicos.
A nova matemática é uma matemática de relações e de padrões. É mais qualitativa do que quantitativa: relações, qualidade e padrão. Tudo isso materializado principalmente no computador. Pois, estes de alta velocidade dominam a complexidade. Os matemáticos agora são capazes de resolver equações complexas que antes eram consideradas insolúveis. Assim, com os novos padrões qualitativos de comportamento desses complexos sistemas, surge um novo nível de ordem subjacente ao caos aparente.
Concluímos nosso texto dando também vital relevância a Nilson José Machado em seu livro Epistemologia e Didática – As concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente, quando afirma - se e confirma - se: “Conhecimento como rede: a metáfora como paradigma e como processo” na aquisição de novas formas de conhecimento e aprendizagens.
Enfim: “Os significados constituem feixes de relações”.






REFERÊNCIAS:




DOURADO, Emanuela O.C. Ampliando o Olhar – as dinâmicas e as teorias do conhecimento. In _____.As dinâmicas de grupo e a formação dos professores. Monografia apresentada à UNEB, 2004. (não publicada). p. 35-44.

DOLL. Jr. Willian E. Currículo: Uma perspectiva pós – moderna / Willian E. Doll Jr.; Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1977.

DOLL. Jr. Willian E. Currículo: Uma perspectiva pós – moderna / Willian E. Doll Jr.; Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1977. (Síntese do trabalho da equipe de Esiovan, Albaneide e Cristiane).

BECKER. Fernando. A epistemologia do professor: O cotidiano da escola / Fernando Becker. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

MACHADO. Nilson José, 1947 – Epistemologia e Didática: as concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente / Nilson José Machado – 6ª. ed. – São Paulo: Cortez, 2005.

CAPRA. Fritjof, Uma nova compreensão científica dos Sistemas Vivos – A Teia da Vida –

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