quinta-feira, dezembro 21, 2006

Ana Maria Sodré

Como o ser humano aprende?

receitas para sua repetição. Cada vez é única, irrepetível. Uma pianista não interpreta a mesma música duas vezes de forma igual. O “concerto italiano”, de Bach, põe em ordem meu corpo e minha outra pessoa, ao ouvi – lo vai dizer: “Que música chata!”. Rubem Alves – Entre a Ciência e a Sapiência – o dilema da educação.
O prazer é uma experiência qualitativa. Não pode ser medido. Não há


O processo de desenvolvimento humano de ensino – aprendizagem busca – diferenciar-se de várias maneiras dentro da própria filosofia como exemplifica as correntes teóricas. No empirismo liga o conhecimento à experiência (experimentação) cuja verdade possa ver verificada pelo uso dos sentidos. O empirismo nega que haja qualquer conhecimento inato ou intuitivo; opõe-se assim, sobre tudo, ao racionalismo. Este por sua vez, enfatiza o papel da razão, que nesta perspectiva garante a aquisição e a justificação do conhecimento inato e intuitivo. Seu desenvolvimento moderno mais significativo foi a crença do século XVII, segundo a qual o paradigma do conhecimento era a intuição intelectual e não sensorial. O conhecimento é resultado da razão, do pensamento. A maturidade do sujeito é que regula as aprendizagens. As praticas pedagógicas estão voltadas ao interesse das crianças e busca o ensino interdisciplinar. A educação é centrada no aluno e não no ensino como na concepção empirista.
A origem do conhecimento segundo Piaget, deve ser buscada não no sujeito nem no objeto, mas no fenômeno da assimilação primordial do recém-nascido humano. Nascendo assim a corrente construtivista, ou seja, a interacionista, onde o conhecimento é construtor interno necessitando da mediação externa com outros sujeitos e objetos de conhecimento. Na pratica pedagógica, há o reconhecimento e a valorização de dois processos distintos e complementares: o ensino e a aprendizagem. Todo ser humano aprende da mesma forma cognitiva, porém de maneira diferente. Dessas teorias é que decorrem todas as demais que estão intimamente relacionadas.
A epistemologia, por exemplo, é a ciência do conhecimento que tem algumas de suas questões centrais a origem do conhecimento, o lugar da experiência e da razão na gênese do conhecimento; a relação entre o conhecimento e a impossibilidade do erro; eas formas de conhecimento que emergem das novas conceitualização do mundo.
Aprender é ver o que antes não se via numa perspectiva mais atual da educação num pensamento pós-moderno. Hoje, muitos educadores estão perplexos diante das rápidas mudanças na sociedade, na tecnologia, na economia, e se perguntam sobre o futuro de suas profissões, alguns com medo de perdê-los e sem saber o que devem fazer.
Estamos diante uma nova corrente teórica: o conexionismo, onde o conhecimento não se reduz a informação. Ele exige a capacidade de estabelecer conexões entre elementos informacionais aparentemente desconexos, de processar informações, analisa-las, armazená-las, avalia-las segundo critérios de relevância, organiza-las em sistemas. A cada instante, compõe os nós – significativos e dualiza-se o desenho de toda a rede. De modo algum a concepção do conhecimento como uma rede de significações implica a eliminação ou mesmo a diminuição da importância das disciplinas.
Algumas considerações sobre a dinâmica dos processos cognitivos no que se refere à construção dos significados estão na perspectiva de compreender e aprender o significado de um objeto, é vê-lo em suas relações com outros objetos ou acontecimentos. Constituem feixes de relações que articulam-se em teias, redes construídas social e individualmente em permanente estado de atualização, ou seja, a idéia de conhecer assemelhar-se a idéia de enredar. A comunicação oferece uma grande contribuição para a explicitação da idéia de rede como representação do conhecimento quando propõe imaginar as significações articuladas em uma teia de nós e ligações. Existe uma reciprocidade profunda entre nós e ligações entre intersecções e caminhos, entre temas ou objetos e relações ou propriedades.
A metáfora da rede contrapõe-se a idéia de cadeia, de linearidade na construção do conhecimento com as correspondentes determinações pedagógicas relacionadas com os pré-requisitos, as seriações, os planejamentos e as avaliações. Não existe um percurso lógico para se percorrer a rede, nem um nó é privilegiado e nem subordinado a outro, havendo diversos percursos alternativos para os trajetos entre dois nós.
Rosenstiehl ao buscar um tratamento matemático para a idéia da rede também identifica e caracteriza esta abertura para uma multiplicidade de percursos ao afirmar: “uma rede é constituída de nós e mesmo que dois nós não tenham uma ligação incidente comum, podem ainda ser dependente através de outros nós”. A partir do exame de concepção com as de Serres e Rosenstiehl (significados como feixes de relações, dualidades entre objetivos / nós / significados à abertura das transformações entre outras), é possível articular uma nova visão, através da quais as visões de grande parte dos problemas educacionais podem ser significativamente transformadas.
A metáfora do hipertexto (textura, tecer) como paradigma, Lévy vê como referencia aos mundos das significações apoiando-se nas extensões naturais. Lévy reinterpreta a constituição dos universos mentais ou dos de significações constitui um hipertexto, o qual segundo Lévy é tal vez uma metáfora valida para todas as esferas da realidade em que significações estejam em jogo. Significações essas que para caracterizar, Lévy recorre a seus princípios conformadores que em conjunto proporcionam uma visão panorâmica bastante valiosa, de rede que se pretende construir.
Para os conexionistas existem três leis principais: efeito: em que uma correção é fortalecida se for seguida de satisfação, e enfraquecida se seguida de incômodos; exercício: quando é feita uma conexão modificável entre uma situação e uma resposta, a força dessa conexão é aumentada, mantendo-se as aulas de coisas iguais; e disponibilidade: quando uma ligação está pronta para atuar, e a ação é de satisfação e não agir por incômodo.
Portanto, todo ato pedagógico é um ato de comunicação. Nem sempre o professor tem clareza da situação na qual se encontra, pois a ideologia faz com que não perceba a exploração de que é vitima. O ser humano só vai aprender quando perceber que as idéias não surgem prontas e logicamente não são integradas a um sistema definido; elas são “criadas gradualmente” a partir de “conexões inexploradas” a partir de “possibilidade semi-reveladas” e “semi-escondidas”. O homem é um ser em potencia, inacabado do nascimento à morte, logo, a construção da pessoa está associada à realização de um conjunto de aprendizagens. Então aprender é ver o que antes não se via.
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Referencias bibliográficas:

Alves, Rubem, Entre a Ciência e a Sapiência: O dilema da educação. São Paulo. 2004.
Arbib, Michael. A; Hesse, Mary B. The construction of reality. New York: Cambridge University Press, 1986. Epistemologia e Didática – Nilson José Machado.
José Machado, Nilson – Epistemologia e didática:
Freire, Paulo, Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a pratica educacional. São Paulo. Paz e terra s/n, 1996 (coleção leitura).
Lévy, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: editora 34,1993. Epistemologia e Didática – Nilson José Machado.
Piaget, Jean, Garcia, Rolando. Psicogêneses e historia de lá ciência. México. Siglo Veinteuno, 1984. Epistemologia e Didática – Nilson José Machado.
Rosenstiehl, Pierre. Rede. In. Enciclopédica, Elnaudj, v.13, lógica / combitoria. Porto: Imprensa Nacional / Casa da Moeda, 1988.
Epistemologia e Didática – Nilson José Machado.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

muito bom.
Eurisvaldo.

6:33 AM  

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